quarta-feira, 4 de junho de 2014

Dia 4 de Junho, 2014.

Querido diário,

estou bem. Minha rotina aos poucos está voltando ao normal. Não muito, pois as aulas já estão acabando e logo terei que voltar para minha casa por um tempo. Mas, por enquanto estou conseguindo. Estou começando a rir mais, procurando maneiras de rir, na verdade. Chorar é horrível, ainda mais por coisa que você sabe que não mudar. E também percebi que ficar aqui, sentado, sofrendo por algo que já foi e esperando as coisas caírem na minha cabeça não vai ajudar em nada. As escolhas não são minhas, então não mudarei nada só. Deixarei o tempo decidir se essas escolhas foram boas ou ruins. Realmente não quero pensar mais em nada do tipo. Então, a melhor maneira é aceitar e seguir a vida. Foda-se o resto (desculpe o linguajar).
                Mudei meus planos com minha amiga, sobre a saída para beber. Decidi que prefiro que só ela me veja bêbado, além das coisas estarem muito caras por aqui. Iremos ter nossa festa privada na sua casa, onde posso cair e apagar. Tentarei ser sorrateiro e pegar emprestado algumas garrafas de bebidas que existem aqui em casa. Estou realmente entusiasmado com essa ideia. Não sei, Tom, nunca gostei de beber, mas parece que agora tem finalmente sentido fazer isso, sabe? Ingerir tanto até cair e apagar, sem ter tempo nem para pensar. Parece-me bem melhor do que as tentativas de dormir que venho tendo.
                Estou comprando alguns livros pelo site da Saraiva. Estou precisando de livros melosos, eu acho. Percebi que não tenho nenhum, ou que já li todos os que tenho. Sei lá, deve reanimar meu velho coração. Sim, tenho quase quarenta livros ainda não lidos na minha estante, mas não gostei de realmente nenhum para ler. Estou precisando de motivação e sinto que não estou no mood para entrar em universos estranhos. Quero somente uma história de amor, pode ser até boba.
                Não tenho muito assunto hoje, Tom, desculpe-me. Espero ter amanhã. Continuarei por aqui até eu sentir que preciso, mas não acho que isso vá demorar muito. Talvez eu mude de diário para algo com um maior intervalo. Veremos.


Atenciosamente,
Victor Luiz.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Sem tempo para a tristeza.

Você não me ensinou a viver sem você. Logo que acabou, engajou em outro. Você tem abraço, tem afeto, tem beijo, tem felicidade. Tem tudo o que eu tinha. Você me tirou tudo o que eu tinha. Foi o seu pior crime. Dois anos de rotina, para fugir na matina. Sempre estive à sua mercê, não negue. Todo o tempo livre que tinha, dedicava a você. Agora, tenho tempo. Agora, não tenho você. Agora, tenho saudade. Agora, não tenho cumplicidade.
Você não me engana, menina. Posso ver seu sorriso, de contraste ao meu bad mood. Não estou na sua visão, muito menos em opção. Afasta-se de mim como um gato foge da água. Uma conversa, alguns minutos. Um silêncio, alguns dias. Éramos tudo, viramos nada. Dois estranhos, que se conhecem muito bem. Uma conhecida, que é conhecida por outro. Boa noite, meu amor, nos falamos amanhã! Te amo! Está tudo bem, não ficarei triste. Gastei muito tempo evitando e agora tudo já foi. Estou seco, meu bem. Não consigo nem ler, acredite se quiser. Procuro estórias de amor, para ver se acho em mim mesmo. Leio tudo e não fico satisfeito. Não tem amor o suficiente para encher meu vazio.
Muitas promessas, que agora são só remessas. Não fazem nem mais sentido, com toda essa situação. Nunca gostei delas, na verdade. Sempre temi que isso acontecesse e que elas ficassem em mim. Como estão agora. Sempre que evito, me machuco. É lei? Ou sou só sortudo?
Nem as músicas, meu bem, nem elas me salvam! Todas têm você no meio. Dá para acreditar? Escuto precisando de ajuda e no fim estou pior. Desde quando isso? Estás eternizada na minha mente. Lembranças, passado. Sofrimento, presente. Incertezas, futuro. Fazer o quê, se sou somente mais um? Nada! Fica no seu canto, calado! Não atrapalhe felicidade alheia, menino! Não sabe que isso é feio?

Poema de classe.

E finalmente se entregou
ao amor que o cegou,
sem medo nenhum,
ou arrependimento algum.
O ônibus que passou
sua amada levou.
E consigo seu jeito,
seu jeito de viver.

O amanhã não se obtinha,
apenas se tinha.
Seu erro fora perder

o último ônibus do meio-dia.

Dia 3 de Junho, 2014.

Querido diário,

finalmente fui à faculdade. Devia fazer quase uma semana que eu não via meus colegas. Devo confessar que não esperava muita coisa, mas até que foi legal. Conversei com uma amiga, ela também encerrou um relacionamento longo esses dias. Não acho que realmente tenham acabado, mas só que deram um tempo. Não pude evitar de rir sobre a descrição das ações de seu namorado. Me fez bem, rir um pouco. Foi uma das risadas sinceras que dei nessas semanas. Acho que foi pelo fato de me imaginar no lugar do rapaz, percebendo que ela podia realmente ir embora (devia mesmo ter rido?). Sei lá, achei cômico. Me senti bem.
Ainda estou naquela fase de luto. É horrível viver assim, mas que posso fazer? Estou tentando, ao menos. Acho que esse é o pior sentimento, Tom: saber que ela está feliz com outro. Perceber que você não foi o suficiente, ou que falhou em perceber todos os sinais de que o barco estava afundando. Foi ótimo enquanto durou, ao menos. Terei belas memórias para recordar, mesmo que no passado. Basta agora eu viver o presente, que está aqui na minha frente. Sim, tenho meu tempo de luto, mas não é eterno. E também não estou preparado para entrar em algum relacionamento agora. Ela evita de todas as maneiras me deixar vê-la com seu namorado (às vezes fico com muita raiva disso), então não acho que seria justo fazer o contrário. E também não seria justo eu entrar em um relacionamento com alguém e dizer “Olha, eu não vou ficar de amorzinho nas redes sociais, já que minha ex fez isso comigo. Então, vamos pegar leve, ok?”. Isso seria horrível. Se eu for começar alguma coisa, vou começar de cabeça e amarei como sempre amei. Até lá, vou ficando aqui no meu cantinho. Tudo tem seu tempo, agora acredito.
Decidi bolar um plano para essas férias. Vou tentar começar com meu projeto de livro. Ainda estou em dúvida sobre qual história optar. Posso analisar meus relacionamentos, incluindo esse que acabou recentemente, ou criar uma história adolescente qualquer, mas mantendo um pouco no meu passado. Ambas as ideias parecem viáveis, só não sei qual escolher. E muito menos como começar. Tem alguma ideia? Qualquer uma é válida. O problema com isso é que ficarei uma boa parte do meu tempo no computador, a não ser que eu decida carregar meu notebook por ai. Seria uma boa, na verdade. Posso até descer e escrever por lá, quem sabe? Até no shopping. Ficar lá, observando as pessoas, sentado e relaxado. Sinto-me calmo só de pensar. Só não me sinto confortável com essa bateria, que não dura tanto. Gostaria de saber de um lugar onde eu pudesse ficar o dia todo, com uma tomada do lado. De preferência aqui por perto, quem sabe venda café? Ideias, ideias. Veremos ainda.
Fiz minha prova de Latim, hoje. Não fui muito bem, mas acho que conseguirei passar sem fazer a prova final. Tive alguns problemas para me manter focado durante, mas cheguei até me bater para fazer isso passar (take it easy, bro). Esse desequilíbrio emocional me irrita, sinceramente. Tenho dezenove anos e ainda pareço um adolescente qualquer, que teve seu coração machucado. Já passei por isso, então qual o motivo disso tudo? Não aprendi nada? É, foi brutal ter que terminar depois de dois anos juntos, mas ela quis. Ela teve os motivos dela e você tem que respeitar. Engula isso. Entenda isso. Deixa ela fazer o que ela quiser, e você faça o que você quiser também.
 Queria realmente poder fazer parte de uma banda. Sabe, ter aqueles amigos de muito tempo atrás e incorporar as músicas que mais gosto. Imaginei-me fazendo isso, na verdade. Me senti invencível. Mesmo com essa situação toda, ainda quero tocar bateria. Essa experiência, quase que traumática, poderia ter arruinado toda minha paixão por esse instrumento. Quase conseguiu. Eu ainda vou conseguir dominar isso, nem que seja a última coisa que eu faça.
Achei que não teria muita coisa para falar, mas acabei tendo. Que bom, né? Meu dinheiro não está totalmente desperdiçado. Até logo, Tom.


Atenciosamente,
Victor Luiz.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Dia 2 de Junho, 2014.

Querido diário,

ela está feliz. Era só uma questão de tempo, mas acho que chegou a hora de isso entrar na minha mente. Provavelmente já estava, só não me contou. “Ele me diz coisas que me fazem sentir a melhor das mulheres”. Na verdade, ela havia me dito totalmente o contrário, o que só me faz desacreditar mais em tudo. Sei lá, Tom, é muita confusão para minha alma tão fraca.
                As palavras que digo não condizem com o que sinto. Ainda estou divido, como te disse anteriormente. Ela merece ser feliz. Merece sentir tudo o que não sentiu comigo. Merece ter alguém que seja totalmente dedicado à ela. Merece alguém que diga que a ama quando ela menos espera. Merece fazer amor com alguém que possa fornecer todo o amor que ela precisa. Merece sentir-se a princesa que ela sempre foi. Merece ter canções dedicadas à ela. Merece ter alguém que a leve em casa e entre para beber só um copo de água. Merece usar a aliança mostrando que está comprometida com alguém que ama todos os seus defeitos e paranoias. Merece ter alguém que a faça sentir como se ela soubesse disso. Merece fazer planos com alguém que ela saiba que vai dar certo. Merece ter alguém que seja seu porto seguro. Merece casar com alguém que ela saiba ser a pessoa com quem ficará pelo resto de sua vida. Merece sentir-se feliz e ao mesmo tempo triste, toda vez que ele for embora. Feliz por tê-lo ali do lado dela o dia todo, e triste por não poder ficar com ele por mais tempo.
                O horrível disso tudo, é que não sou essa pessoa. É verdade. Por mais que eu quisesse, não a satisfiz. Não a amei como deveria ter amado. Amei sim, mas não o bastante. Não o bastante para fazê-la ficar, para fazer ela perceber que nós dois somos o certo. Ela não acreditou nisso e foi embora. Nada mais do que justo. Foi horrível, mas justo. Ter acontecido isso tudo é única coisa que eu não queria, mas aconteceu. Está escrito agora em nossos passados. Todos os acertos e todos os erros. Somos passado. Ao menos, tentei. Ela percebeu que não sou o único homem da terra. Deve ter dito graças a deus, quando percebeu. Apesar de seu amor platônico por mim, ele também acabou, como nós. Os feitiços eram quebrados a todo momento em que eu a magoava. Chegou um momento que não fazia mais sentido tentar ser feliz com um cara como eu. E aí, seu amor por mim simplesmente se exauriu. Vazio. Nada. Sou agora somente uma "assombração" de seu passado, enquanto ela vive agora o presente.
                O pior de tudo, é que não posso odiar o cara. Ele só estava lá no momento certo e na hora certa (até mesmo antes?). Ele podia nem ser o baterista da banda dela, mas foi (você por aqui, destino?). Percebeu que podia fazê-la feliz e a agarrou. Ela, procurando a felicidade, aceitou. Nada mais do que isso. Agora, constrói novas memórias, substituindo as antigas. Ri de coisas que nunca havia pensado. Adquiri novas formas de escrever, já que vê essas mesmas formas agora todos os dias. Obviamente, nada disso teria acontecido se eu tivesse feito as coisas certas. Sei disso agora. Sei que a culpa de ter ela ter ido embora é minha. Eu a forcei a fazer isso. Ela disse que poderia ter aguentado mais, mas como? Aguentar até ficar oca por dentro? Eu não valia esse sofrimento todo. Infelizmente, aprendi muitas coisas tarde demais. E essa foi nossa sentença de morte.
                Como você aguenta todos esses meus desabafos, Tom? Mesmo sendo meu psiquiatra, não sei como consegue. Eu preciso aqui desse espaço para não enlouquecer, mas você não. Tem certeza que não quer ir embora? Vou entender, se quiser. Você não vai ser o primeiro. Estou parecendo mais um babaca que magoou quem o amava. De que adianta eu fazer tantas coisas agora, se não fiz antes? De que adianta demonstrar todo o meu amor por ela, se não o fiz quando ela precisava saber? Meu amor nunca foi suficiente para ninguém, Tom. E desta vez não foi diferente.


Atenciosamente,
Victor Luiz.

domingo, 1 de junho de 2014

Dia 1º de Junho, 2014.

Querido diário,

hoje um novo mês começou. Junho começa onde Maio custou a terminar. Em retrospectiva, foi o pior mês que eu já vivi nessa minha breve existência. Sei que ainda irá ser um mês difícil para mim, ainda mais com o Dia dos Namorados chegando. Sou louco normalmente, imaginando todas as situações possíveis, que dirá nessa data.
Combinei de dia quatorze, após a festa junina de meu antigo colégio, sair para beber com a minha amiga. Acho que vai ser bom, mesmo com a minha última tentativa tendo sido um completo desastre. Na verdade, não foi tão ruim assim. Ri bastante e me mantive ocupado por algum tempo, mas eu realmente achava que seria bem melhor. Apesar disso, estou entusiasmado. Nunca havia saído com ela só com esse intuito, muito menos ficado bêbado na frente dela. Quero que seja um dia para esquecer de tudo e acordar com aquela dor de cabeça, porém não por ter tido um sonho ruim. Não quero pensar em mais nada, a não ser conversas aleatórias que sempre temos e que sempre me fazem rir. Será um dia que esquecerei todas as minhas mágoas e todo o meu sofrimento nessas últimas semanas. Posso até voltar a mesma rotina depois disso, mas ao menos tentarei desviar minha cabeça nessa noite. Não quero ficar para trás enquanto ela vai seguindo a sua vida. Discutimos muito sobre isso: se ela fosse, eu também iria. Então não vou ficar de otário nessa.
Não “falo” com ela desde ontem, após sair do metrô. Sei que, além da situação óbvia, ela está triste comigo por ter insinuado onde ela estava na Sexta. Tudo o que eu falo é errado, mesmo não sendo o tão rude quanto ela pensa. Na verdade, tudo por mensagens passa uma ideia errada. Mas, como ela não quer mais falar comigo por telefone, é o que me resta, e essas brigas fúteis só continuam. Às vezes acho que ela quer ficar com raiva de mim, só para ter aquela aceitação final de seguir e não se importar comigo. Tenho achado muito isso, ultimamente. Ela acha que, tendo um namorado, as coisas vão ser as mesmas entre nós. Onde isso funciona? Ela sendo feliz com alguém e eu aqui, tentando manter uma amizade relativamente boa? Não dá, cara. O máximo que podemos fazer é ter essa amizade, mesmo que desgastada e severamente comprometida. É isso ou simplesmente não nos falarmos e não olharmos para a cara do outro (o que é, na verdade, o que está acontecendo). Tenho tentado muito resgatar pelo menos alguma coisa que tínhamos, mesmo antes de namorar, mas é sempre um passo para frente e dois para trás. Fazer o que, não é como se fôssemos namorados mesmo, não é?
Essa semana andarei mais ocupado com assuntos da faculdade, então talvez isso me ajude um pouco. Espero que sim. Até mais, Tom.


Atenciosamente,
Victor Luiz.

sábado, 31 de maio de 2014

Desabafo.

Queria ter um botão que, se pressionado, levar-me-ia para o futuro. Qualquer época de minha escolha. Estou visivelmente cansado desse presente. Meus motivos se foram junto com ela e parece que zero fodas foram dadas. Foi como “Olha, eu tô indo aqui e espero que fique bem!” e só. Está lá agora mesmo em outra vida, diferente da que planejamos por tanto tempo. O que algumas palavras não fazem, hein? Estou naquele famoso limite entre realidade e fantasia. Vivo sonhando coisas que nunca irão acontecer, mas que mesmo assim voltam a me assombrar todos os dias. Realmente queria que isso fosse um pesadelo, daqueles que você acorda no meio da madrugada, todo suado (não que eu não tenha tido alguns desses). Nunca acreditei nessa coisa de a amizade não poder existir entre homem e mulher, principalmente se já tiveram uma relação antes. Não sei mais o que pensar. Toda vez é a mesma coisa: eu olho para ela e meu coração acelera, como se ela fosse meu anjo, que me salvaria daquele terrível lugar. Depois, todos aqueles flashbacks que ficaram na memória, martelando sua cabeça até você dizer chega. Dá saudade. Muita. Até que ponto o amor platônico existe? Ou é só mais uma farsa para acreditarmos em finais felizes? Fui enganado novamente? É só uma tática para me manter calmo e acreditar na volta da amada?
Tantos livros me ensinaram o verdadeiro significado do suposto amor, toda aquela baboseira clichê de sempre. Odeio você, Nicholas Sparks. Fez-me acreditar nesse amor eterno, enquanto ele acabava bem debaixo do meu nariz. Para que serve a fantasia, então? A realidade é outra coisa. É nua e crua, sem essa de beijo no final. É no máximo um abraço e até mais ver. Teve um relacionamento longo e acabou? Quem liga. É normal! Parte pra outra, amigo! Ela não é a única mulher no mundo! Ah, realidade... Seria tão fácil se os livros fossem o nosso cotidiano... Mesmo tendo aquelas tristezas, você saberia qual seria o final. Você aguentaria a dor, pois algo muito melhor de aguarda lá depois do túnel. Quebra de realidade. Você não sabe o amanhã. Não sabe o que vai acontecer. Pode amar alguém com tanta força que nem sua alma aguente, e essa pessoa pode simplesmente ir embora, ou até morrer. Trágico! Precisamos de algo para acreditar, mundo! Não podemos continuar nessa de ir cegos até onde der. Não dá! É muito sofrimento. E eu não sou forte o suficiente. Dê-me uma luz, por favor. Estou implorando, de joelhos até. Dê-me uma certeza, ao menos uma vez na minha vida. Só quero ter certeza de que dias melhores virão. De que não ficarei aqui, preso nas memórias e lembranças do passado o resto dos meus dias.