quinta-feira, 12 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Somos humanos, afinal?

Sentado, ao lado daquele moço, percebeu como a vida era frágil - fechou o seu livro e se perdeu em pensamentos. Todos naquele ônibus pareciam conformados com o fato de poderem morrer a qualquer momento. Sem mais nem menos, o acaso poderia colocar um fim a sua existência e a de todos naquele automóvel desengonçado. Algum pedestre poderia passar de última hora na rua e desviar o trajeto do motorista, fazendo com que batessem em um prédio e morressem com o impacto. Ou, até mesmo, poderiam ser vítimas de um assalto malsucedido, culminando em uma carnificina civil.
Mesmo assim, todos levavam a suas vidas, sendo transportados até seus devidos destinos.
Cada passageiro que passava pelo "corredor da vergonha" (visto que recebia a atenção de todos os desocupados do ônibus) procurava veemente por um lugar vazio. Quando não achavam, ficavam ali em pé mesmo, ou eram agraciados por alguém cedendo o seu lugar. E, essas ações despretensiosas de alguém que não conhecia absolutamente nada do próximo - a não ser sua roupa - o intrigavam. De que valia o exercício da moral, se não veria metade daquelas pessoas novamente, quiçá em algum lugar pós-morte? Mas, aí, viu que isso bastava para a maioria das pessoas: essa satisfação momentânea, essa lógica de melhorar o dia de uma pessoa aleatória, sem que você ganhe nada.
Pensou o motivo de sermos assim, o tal do sentimento que só os humanos possuem. Não havia garantias de que a ação daria algum fruto posteriormente e muito menos de que sairia de lá sem nenhum arranhão.
Mas, entendeu, que essa era a vida, com toda a sua superficialidade. Em um momento você está dando o seu lugar no ônibus para uma pessoa visivelmente cansada, e no outro você é lançado do corredor, em direção à frente do veículo.
Ele morreu.
O outro passageiro, não.
Simples assim.
O momento da vida,
num piscar de olhos.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Encontro com a morte.

Por toda a vida fora alguém que imaginava as pessoas em luto pela sua ida. Imaginava seus pais chorando, seus familiares lamentando a perda e seus amigos pensando em como tinha morrido jovem. Porém, nunca realmente pensara em quando iria morrer. A realidade bateu quando alguém próximo se foi, sem mais nem menos. Caiu a ficha. Poderia ter sido ele. O luto tinha tomado conta de seus pensamentos. Pensava como aquilo poderia ter acontecido? Fora pego de surpresa. Sua cama havia virado sua melhor amiga por um tempo, até que lentamente se desse conta de que a vida continua. Continua? Resolveu fazer seu testamento. Resolveu também escrever cartas para pessoas escolhidas pela parte poética de seu cérebro. Aquelas pessoas com quem já tinha um íntimo maior. As cartas eram escritas com as expressões das pessoas sendo imaginadas. Gostava de imaginar que todos sentiriam sua falta. É claro que isso provavelmente não iria acontecer, mas mesmo assim imaginava. Cada carta contava sua história com a respectiva pessoa. Algumas tinham um quê a mais, outras eram breves. Três em especial continham as palavras mais delicadas e harmoniosas que conseguia. Alguns pedidos de desculpas - muitos - e algumas juras de amor. A última deixara um buraco em seu peito. Fora difícil escrevê-la sem parecer melancólico. Dissera que as coisas não deveriam ter terminado assim, mas quem era ele para dizer o que o futuro o guardava? A carta terminava com as palavras que mais marcaram seus momentos juntos. Chorara ao perceber que tudo aquilo poderia acabar, assim, sem mais nem menos. Algumas lágrimas fincaram-se no papel. Esperava que suas palavras conseguissem passar tudo o que sentia no momento em que as colocara no papel. Por fim, guardou tudo em uma pasta. Iria montar um esquema no qual, assim que partisse, fosse entregue aos devidos destinatários. Intitulou a pasta de "Quando eu morrer..."

terça-feira, 9 de abril de 2013

O ciclo das relações.

Já fora feliz uma vez. A porta tinha sido fechada e os passos se desvairam naquela tarde. Não sabia mais o que fazer. Tentou escrever, primeiramente. Tirar aquilo tudo dos ombros, compartilhar com seu imaginário algo que ele já sabia e assim por diante. Nada. Ainda sentia como se algo estivesse faltando (você, meu bem). Procurou por outras pessoas que partilhassem seus problemas. Relatos pessoais e histórias melancólicas. Nada. Tentara telefoná-la. Sua voz era um tranquilizante natural para seus ouvidos. Como você se sentia, ma vie? Nada. Caixa postal. Todas as oito vezes. As músicas não conseguiam mais confortá-lo. As melodias o incomodavam cada vez mais, o que o fez perder seu maior aliado. A cada dia, ficava mais difícil. Onde está você, querida? Suicidou-se, por fim. Encontrou um estado de paz, sentindo-se livre para chorar e se amargurar, sem arrependimentos. Nada. Acordou. Viu que eram uma hora da madrugada e percebeu que dormiu toda a noite. Sem sono, começou a imaginar. Sonhar acordado. Lembrou de momentos que estavam esfumaçados de seu passado, momentos em que ele se sentia plenamente feliz. Chorou. Que mal faria? Ninguém estava olhando. Chorou por alguns minutos. E dormiu. Dormiu com seu rosto molhado. Na tarde seguinte, tentou levar a vida. Andou pela rua, observando as pessoas. Observou seus comportamentos, quem sabe não via alguém triste? Nada. Olhou ao seu redor e somente encontrou pessoas também levando a vida. Algumas poderiam ter estado na mesma situação que ele na noite passada, mas hoje estavam lá. Caminhando. Como se nada tivesse acontecido. E percebeu. Percebeu, então, que a vida era isso. Uma grande máscara. Vestia-se sempre antes de sair pela rua. Ninguém veria seu rosto amassado, ou seu olhar pesado. Vestiu-se. E viveu.

sábado, 30 de março de 2013

Um recomeço.

Os textos aqui deixados foram uma coletânea de palavras escritas no meu tumblr ao longo dos anos. O texto abaixo fora o primeiro que eu escrevi, quando os hormônios em meu sistema me atacavam a todo o momento. Então, se passarem por algum erro grotesco de português ou coisa do tipo, me perdoem. Não tive tempo e muito menos paciência para revisar todos os textos.

No vai e vem do amor.

Não há dor pior do que amar alguém que não sente o mesmo.
Palavras não podem e não irão conseguir expressar o que sinto quando te vejo com outro, quando você não fala comigo ou apenas se esquece, quando fica indiferente comigo, quando eu olho para você e você simplesmente desvia o olhar para o outro lado, fingindo que não me vê.
Tento manter esses sentimentos aqui dentro, pois não consigo colocá-los para fora, com medo de não ser correspondido. É difícil, mas só pelo fato de relembrar os momentos que tivemos, onde ficávamos conversando durante horas e horas, sem nos preocupar com o tempo, com nada.

Dicionário do amor.

É impossível descrever o que sinto por você, e sei que, mesmo se eu tentasse, não conseguiria pelo simples fato de o que sinto por você não tem palavras. Parece clichê, mas é verdade, até por que sou um rio de sentimentos clichês ambulantes.
Mesmo não tendo você aqui por perto, cogito a possibilidade de que todos os meus sonhos, com você, se tornem realidade e eu possa ser, realmente, feliz.
Mesmo que o acaso me deixe longe de ti, ou que alguém te tenha, só espero que você possa ser feliz, espero que esse alguém possa te fazer feliz como eu o faria se estivesse junto à você.

“O amor significava pensar mais na felicidade da outra pessoa do que na própria, não importa o quão doloroso seja sua escolha.” E isso traduz em perfeita escala o real significado de amor.