segunda-feira, 19 de maio de 2014

Na rua, perdido.

Depois de 7 anos de caminhos tortos e esburacados, tínhamos de alguma maneira terminado nesse estranho lugar. Tínhamos chegado ao ponto de conhecer cada pequeno detalhe do outro, da aparência ao caráter. Fingíamos que não sabíamos o que o outro iria falar, mas já tínhamos todo o script em nossas cabeças. As reações acabaram por serem repetitivas, sempre caindo na mesma rotina. Não demorou muito pata começarmos a questionar nossas próprias decisões. Vivíamos em um desentendimento constante, brigas começavam onde as outras nem terminavam. Eventualmente, não suportávamos mais as características que antes nos encantavam. O fim foi eminente, chegou com mais força que a morte. Infelizmente, nossos caminhos tomaram curvas diferentes. Sabíamos que nossas emoções sempre iriam geram conflitos, por mais fúteis que fossem.
Magoados, caminharam em direções opostas. Tentaram mais uma vez trilhar seus caminhos pela vida. Um se envolveu com outra pessoa, na esperança de um futuro melhor, ou mesmo de um presente mais estável. O outro, cavou um buraco e se escondeu por lá mesmo. Não tinha ainda digerido os acontecimentos que o assombravam. Estava perdido em meio a milhares de caminhos para seguir. Estava parado. Não andava para frente e nem para trás. Estava parado no tempo, esperando algo acontecer. Só não sabia o que.

sábado, 17 de maio de 2014

São uma e meia da manhã e só consigo pensar em você.

A cada hora, um minuto se passava. Não conseguia fazer nada, nem mesmo a televisão o entretinha mais. Agonizava no sofá, sozinho e com um sentimento de inquietude que não sabia de onde vinha. Talvez, se tivesse ido a festa, teria sua cabeça em outro lugar (se divertindo, talvez?). Porém, escolheu ficar em casa. Sentia que não estava preparado para encarar o mundo frio que o aguardava. Sentiu que não estava pronto para ser feliz. Estava sozinho. Sentia-se abandonado, mas não lembrava de outro sentimento se não a solidão.
Desde que tudo acabou, tudo tem sido um verdadeiro inferno. Olhava ao redor, mas tudo estava em preto e banco. Não sentia mais fome, raramente comia. Almoço e janta já não existiam mais. Faculdade? Estava tão confusa que nem tentava mais entendê-la. Ia para a aula e voltava, sem desviar do caminho.
Quando chegava em casa, o dia passava tão devagar que jurava poder sentir a terra fazendo se movendo. Durante todo o resto do dia, aguardava um sinal. Um sinal de que ela estava pensando nele. Uma mensagem, uma ligação, uma atualização de status, uma música solta... Qualquer coisa. Um pouco difícil de acontecer, já que ela tinha encontrado alguém para substituí-lo. Já não tinha mais o direito de saber onde ela estava e isso acabava com ele aos poucos, pedaço por pedaço. "Com quem está?" "Está bem?". Seu tempo não incluía mais dar atenção a alguém que não tinha mais importância. Um fardo para a sua felicidade própria.
Mesmo assim, esperava. E esperava. "Ela deve estar dormindo", pensava. Mas aí, via que estava online na rede social. Após eliminar todas as desculpas possíveis, se dera conta. Se dera conta que Tom não era mais o centro das atenções. Não estava nos favoritos do celular dela. Não era com ele que ela mais conversava agora. Não era com ele que ela andava de mãos dadas. Ele não existia mais. Era só um fantasma de seu passado, que a assombrava.
Nada tinha atingido Tom tão forte quanto aquela realização. Percebeu que sua presença não era mais necessária. Percebeu que todos poderiam seguir com suas vidas. Percebeu que, novamente, estava sozinho.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Excuse me, informality coming through.

I'm just living it through. I'm not thinking about anything. I’m just waking up and doing stuff. I'm having a hard time. I didn't know I would be this affected with this while situation (obviously I didn't expect her to find someone so soon, but even before it fucked me up).
I used to make plans all the time. My two past relationships were all about that: "Oh we will grow up and have kids and die together beside a fireplace". I barely escaped from the first one. I held on, but I got lost for some time (and this was only a 4 month relationship). Now, I just don't know. Like I don't have many friends (actually I had a big surprise when a old one came up and like stood by me, saying if I needed to talk he would be there) but that's pretty much it. My closest is really busy with college, so I don't think it's a good idea to fill her mind up more. Besides, she has a boyfriend that sometimes gets really jealous, even tough he is my friend.
So I don't really have someone to talk to. And it's fine, because I don't want to. I don't want people asking what happened, because I don't fucking know what happened. It went from 10 to freaking -90 in a week, so yeah, I don't know.
I just need someone to listen to me when I want (I know that sounds super rude, but I just cant be like all friends with everybody just now) and understand that I am going through the hardest part of my life. I mean, two years were just shattered and I don't know how to deal with this. She moved on. She found someone to lay her shoulders on. She found someone to go to bed with and sleep. Or fuck. I don't know. I can't. I'm lost. And no, I don't want to fucking go to a party and hook up with somebody, that's freaking disgusting. I always hated that. If I want to be with someone, it will be either a friend or a friend that I still haven't met.
I am just trying to pick my shit and live through this whole nightmare.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

You can't run from the pain.

Do you know that feeling when you get so angry by seeing something you didn't want to, or didn't expect? Like it goes up your spine and stops at your back, right below your shoulders? Suddenly, you start getting hot and you can't really manage to find a way to stop this feeling. It consumes you, piece by piece. You begin to lose consciousness of your act, your vision slowly fades away. You realize you cannot run away from the things that you will hunt. Her new boyfriend, better than you. Her new happiness, blurring yours. Her new memories, replacing yours. They will be there. Just waiting for you to sit down and find some grasp, or try to sleep for a while. Even in your dreams, they will be there. What should I do, then? Face it? Ignore it? There is no escape. There is no escape at all. All you have to do is accept it is going to hit. And, when it hits, you will be prepared. Prepared to see all your memories, or even imaginations, going through your eyes, wandering.

domingo, 11 de maio de 2014

Confissões de um doente.

A minha vida toda, tive medo de não ser suficiente para alguém. De, apesar de todas as minhas forças, não me restar senão a solidão. Durante muitos anos, ponderava em quão louco eu ficaria quando alguém me substituísse. Tinha a ideia de que a vida não teria sentido, de que atingiria o fundo do poço assim que a outra pessoa resolvesse seguir em frente.
Daqui de baixo, posso confirmar todas as minhas teorias sobre esse momento. Todos os meus medos realizaram-se, me tornando vulnerável às minhas próprias ações. A vida não parece ter mais o gosto de ser vivida. Aquilo que me levantava da cama todos os dias, mostra-se agora inexistente. Pela primeira vez na minha vida, sinto-me perdido. Sinto-me como se não tivesse um futuro que eu pudesse agarrar para continuar. Agora, somente tenho memórias de um passado não tão distante. Eu pensava que a escuridão iria dar-me abrigo, adotando-me para seu ninho de solidão. Mas eu estava errado. Eu sou a escuridão.
Não tinha, porém, a ideia de que mesmo sendo substituído, a felicidade da outra pessoa tornar-se-ia mais importante que minha. Sentia que deveria fazer com aquela pessoa fosse feliz, para compensar seu tempo perdido, sua alma desgastada.
Finalmente, entendi que o amor era isso: uma automutilação contínua. Entendi que a minha felicidade não poderia tornar-se prioridade, enquanto tivesse uma outra que dependesse de minhas ações, mesmo que isso causasse-me uma era melancolia e amargura.

Dear mom,

Hoje é o seu dia, mãe. Não que os outros também não fossem, mas hoje celebramos de maneira social a sua importância em nossas vidas. Obviamente, me irrito muitas vezes com você por diversos motivos, mas você sempre tá comigo quando eu preciso. Você sempre senta do meu lado e me pergunta se está tudo bem mas, mãe, você sabe que eu não consigo mentir para você. Seu olhar penetra o meu tão intensamente que sinto que você sabe de tudo o que aconteceu. Eu espero que não. Não quero que você tenha a ideia de que pode me ajudar. Você não pode, mãe. Ninguém pode.
Me desculpe, mãe. Não sou o filho mais esperto, muito menos o que te trouxe mais felicidade, mas eu amo você. E quero que você não se preocupe comigo. Eu dou conta. Sempre dei.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Suicide note.

Though it wasn't
a real suicide.
I got stabbed
yesterday
and I can still feel
the knife
crumbling around
inside my body.
It happened all over again
in the same way
it wasn't supposed
to happen.
In the blink of an eye,
I was dead again.
In the first one,
I barely escaped.
Some scars still
float on my old skin.
They used to scream
as a reminder of
how bad I can become,
how addicted
I can be
to the darkness.
Don't get me wrong,
I find comfort in it
every time we
have our meet.
But this addiction
can be dangerous,
as our love's was.